Artigo 4 - O Design na Era Digital
A prática da editoração eletrônica,
ou do chamado desktop publishing (DTP), nome pelo
qual ela é internacionalmente conhecida hoje
em dia, foi aparecendo gradualmente nas décadas
de 70 e 80, com os primeiros programas processadores
de texto e as impressoras de impacto (tipo margarida
ou daisywheel), utilizados nas universidades e nas
grandes empresas para a confecção in
house das artefinais de teses e relatórios
de circulação interna ou restrita. Para
isso se usavam inicialmente os computadores mainframes,
depois os minicomputadores, e finalmente os PCs.
Com a tecnologia do DTP se
podia simular e comparar rapidamente uma quantidade
muito grande de soluções, em forma de
artefinal, para problemas de design gráfico
e tipográfico - em número bem maior
que aqueles gerados normalmente por métodos
tradicionais (e que apareciam até então
sob a forma de roughs e layouts aproximados). O custo
dos visuais gerados na tela e impressos nas lasers
e nos jatos de tinta era mais baixo e o feedback imediato.
Havia ainda a possibilidade de se poder desfazer (undo),
a qualquer momento, a última ação
ou transformação realizada na imagem
ou no texto. Se o resultado de uma experiência
não satisfizesse o autor, ou fosse resultado
de um êrro de operação, se poderia
corrigir a falha rapidamente, sem quaisquer penalidades
e a um custo ínfimo.
Com isso, os designers eletrônicos
passaram a refinar cada vez mais a qualidade de seus
layouts, manipulando repetidamente detalhes gráficos
em escala cada vez menor, chegando inclusive a poder
trabalhar, quando desejável, contornos e detalhes
de letras. Para completar o quadro, várias
modalidades visuais (textos, desenhos geométricos,
gráficos, fotos, pinturas, objetos em 3 dimensões)
podiam ser então facilmente geradas e/ou processadas
por uma só pessoa e integradas pelo computador
gráfico à uma página ou a um
slide de apresentação, já que
os aplicativos haviam se tornado mais diversificados
e fáceis de usar, enquanto a matéria-prima
permanecia sendo sempre a mesma: pontos luminosos
(pixels), preto-e-branco ou coloridos, numa tela de
vídeo.
Em
suma, os designers passaram a ter uma maior liberdade
para experimentação e um maior controle
sobre suas criações. O resultado de
qualquer decisão ou manipulação
executada por eles era imediatamente mostrado na tela,
para ser aceito ou rejeitado pelos mesmos. A gama
de alternativas de ação, passíveis
de execução a qualquer momento, também
foi se tornando cada vez mais ampla, a medida que
os programas visuais foram evoluindo.
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